Arroio do Padre e suas preciosidades

E com certeza essa saída foi a mais importante do mês de setembro!! No sábado, dia 23 de setembro fomos em direção à uma das matas mais preservadas da nossa região, localizada no município de Arroio do Padre, que fica muito próxima à Pelotas.
Essa saída foi marcada na sexta-feira, dia 22. Quando convidei o Laudelino Moura, meu grande amigo de Pinheiro Machado para vir pra Pelotas pra registrar a bicharada. Ele aceitou o convite e logo após acertar com ele, convidei a Maiara Vissoto e o Kauã Duarte (ele nunca havia ido à campo registrar aves).
Conversando com a Maiara a respeito do local que poderíamos ir, chegamos à conclusão que Arroio do Padre era um local promissor, já que lá já foram registradas diversas espécies raras na nossa região.
A previsão era muita chuva pra sábado, cheguei a desmarcar com o Laudelino, mas voltei atrás e confirmei com ele. Com chuva ou sem chuva, iríamos atrás da bicharada.
Ele chegou em Pelotas as 7:30 da manhã, fomos pegar a Maiara e o Kauã e partimos em direção ao nosso destino final, que era essa mata no Arroio do Padre.
Sabíamos que teríamos de pedir permissão pra entrar nessa mata, corríamos o risco de irmos até lá e não conseguirmos o acesso, mas o risco faz parte da vida de todo observador de aves. Risco de não encontrar a ave desejada, risco de não fazer foto e diversos outros riscos que corremos quando estamos observando.
Bom, chegamos na estrada de chão, ainda na zona rural de Pelotas e logo de cara, avistamos dois tucanos-de-bico-verde (Ramphastos dicolorus), que infelizmente não deram chance de fotos. Até porque não estávamos com o equipamento fotográfico em mãos. Até descer do carro, pegar câmera, montar câmera e pegar o playback, os tucanos já estavam muito distantes dos nossos olhares, tanto é que nem os encontramos mais.
Emprestei minha câmera pro Kauã, uma Canon SX50HS que já me deu muitas alegrias no birdwatching e expliquei pra ele como manusear e ele conseguiu fazer alguns registros legais durante sua primeira experiência como observador, em breve vai postar tudo no wikiaves e teremos mais um parceiro pro time de viciados...
Seguimos caminho e encontramos um bando de tiribas-de-testa-vermelha (Pyrrhura frontalis) numa árvore.

tiriba-de-testa-vermelha (Pyrrhura frontalis). Foto: Raphael Kurz.
Seguimos em frente e chegamos próximo ao local que seria nosso destino final. Começamos a pedir informações para o pessoal que encontrávamos na rua e conseguimos chegar ao local de acesso à mata. Tudo certo de acordo com o GPS, agora restava contar com a sorte de nos liberarem acesso. Desci do carro com o Laudelino e sob chuva, fomos conversar com os donos das terras e explicamos o que queríamos fazer e pra nossa sorte, conseguimos acesso. Abaixo de chuva, fomos em direção à mata.
Parece loucura sair de casa num sábado de manhã, bem cedo pra ir passar frio e se molhar né? Mas quero ver convencer um observador de aves que isso é loucura. Impossível!!! Sabe aquela frase "Cada louco com suas manias"? Se encaixa perfeitamente ao observador de aves.
Não levei calçado adequado e acabei molhando todos meus pés ao atravessar um arroio, mas acham que me preocupei? Eu e o Kauã fomos os únicos que passamos por isso, pois o Laudelino levou botas e a Maiara conseguiu passar por cima de galhos e pedras que cortavam o arroio. Eu e o Kauã tivemos que encarar toda a passarinhada com os pés molhados, mas minutos depois a adrenalina subiu ao ver um gavião-miúdo (Accipiter striatus) e já nem lembrava mais que eu estava com os pés molhados. Esse é um lifer que à anos eu sonhava em fazer. Vi fotos de alguns amigos e pensava que nunca chegaria meu dia de ver essa espécie e consegui, graças aos olhos atentos da Maiara.
Fomos em direção à mata e atravessamos um campo completamente encharcado, visto que a garoa fina não dava trégua. 
Chegamos na mata e a Maiara diz: "Raphael, fica quieto!! Acho que é um pavó!".
Como eu não conhecia a vocalização da espécie, fiquei quieto e caminhei em direção ao local do qual vinha a tal vocalização, que pra mim era totalmente estranha. Adivinhem? Cheguei lá e avistei as aves. Emoção a mil!! Não era meu primeiro encontro, mas dessa vez consegui observar os hábitos, a vocalização e além de tudo, era um pequeno bando vocalizando bem na nossa frente. Infelizmente não conseguimos foto nessa oportunidade, visto que as aves saíram voando. E convenhamos, os bichos são enormes!!
Alguns minutos depois, começaram a vocalizar novamente, dessa vez não era na trilha, mas sim, dentro da mata. Dei a ideia de irmos atrás com o playback e pra nossa alegria, a Maiara conseguiu fazer o registro da ave. Eu fiquei totalmente satisfeito em apenas observá-lo, já que não é uma ave que se vê todos os dias.
Além do pavó (Pyroderus scutatus), a Maiara registrou a rara e sorrateira tovaca-campainha (Chamaeza campanisona). Eu consegui gravar a vocalização, mas ainda me falta a foto da danada.
Enquanto a Maiara insistia um pouco mais em registrar a tovaca, ficamos registrando os tangarás e o comum surucuá-variado (Trogon surrucura), que deixou o Kauã eufórico.

gavião-miúdo (Accipiter striatus). Foto: Raphael Kurz
surucuá-variado (Trogon surrucura). Foto: Raphael Kurz. 
Laudelino e Kauã registrando a bicharada. Foto: Raphael Kurz.


Como já estava ficando próximo do meio dia e o tempo não estava colaborando, resolvemos voltar pro carro e no jardim, ainda consegui um registro do beija-flor-de-fronte-violeta (Thalurania glaucopis), que na minha opinião é um dos mais belos beija-flores da região.

beija-flor-de-fronte-violeta (Thalurania glaucopis). Foto: Raphael Kurz
Lista das espécies observadas no local: http://ebird.org/ebird/view/checklist/S39357872.

Na parte da tarde, fomos no local onde na semana encontrei o arapaçu-platino (Drymornis bridgesii) em Pelotas (Leia o relato aqui). Na estrada do Laranjal, paramos para registrar a bicharada que habita os banhados dali. Bichos comuns, mas que nem sempre se aproximam e possibilitam bons registros.


irerê (Dendrocygna viduata). Foto: Raphael Kurz.

frango-d'água-comum (Gallinula galeata). Foto: Raphael Kurz.

curicaca-real (Theristicus caerulescens). Foto: Raphael Kurz.

polícia-inglesa-do-sul (Sturnella superciliaris). Foto: Raphael Kurz.
Além das aves registradas acima, vimos por lá um casal de noivinha-de-rabo-preto (Xolmis dominicanus), que não nos deram muita chance de registro, mas vale ressaltar que a ave está classificada com vulnerável na lista de animais em extinção no país.
Já na área dos arapaçus, demoramos para encontrá-los, visto que as aves não respondiam ao playback e nem vocalizavam. Insistimos por um tempo, até que tivemos a ideia de colocar o playback alto no som do carro. E não é que deu certo? Nesse meio tempo, ainda registramos um jacurutu (Bubo virginianus) jovem que estava acompanhado de um adulto. Assim que voltamos para o carro, consegui ver os arapaçus, eram dois indivíduos. Foi a chance que a gente precisava!!!
Conseguimos fazer alguns registros e depois partimos em direção de casa.

jacurutu (Bubo virginianus). Foto: Raphael Kurz

arapaçu-platino (Drymornis bridgesii). Foto: Raphael Kurz.
Mais uma grande saída, acompanhado de grandes amigos. Fica aqui o relato dessa maravilhosa expedição, espero que em breve, eu tenha a oportunidade de voltar nesses locais maravilhosos!! Até mais pessoal!

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